Tendências em Finanças Sociais no Brasil

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“Eu gostaria de desafiar cada um de vocês a pensar além do momento atual e imaginar as próximas páginas dos livros de História sobre o Brasil em 2035. Vamos escrever sobre oportunidades perdidas ou descrever como seguimos nosso caminho para uma realidade mais próspera e menos desigual, através da inovação e da criatividade, apesar dos desafios ocasionais da estrada?”

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Com essas palavras o professor da Columbia SIPA, Sidney Nakahodo, abriu sua fala no evento Social Finance Trends in Brazil, realizado pela Finance for Good Brazil, no mês de junho, em Nova Iorque. Leonardo Letelier falou das tendências em finanças sociais no Brasil e compartilhou um pouco da experiência da SITAWI nos últimos anos. Participaram também do encontro Antony Bugg-Levine, da Nonprofit Finance Fund; Julia Wilkison e Andrea Armeni, da Finance for Good Brazil.

Com a mediação da jornalista Di Pinheiro, Leonardo apresentou o trabalho que a SITAWI desenvolve no Brasil e como essa atuação dialoga com o contexto socioeconômico do país.

“Apesar do Brasil ser uma potência econômica e tenha vivido nos últimos anos o crescimento da classe média, continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. Os compromissos com a filantropia continuam sendo uma fração do que são nos EUA e são menos sofisticados em sua gestão e alocação”, comentou.

Declarou que o acesso ao capital permanece caro para os empresários tradicionais em cerca de 30 a 40% ao ano; e os compromissos de capital de risco ainda são uma fração dos mercados desenvolvidos. Segundo ele, as empresas sociais muitas vezes permanecem excluídas das oportunidades de financiamento tradicionais.

Para lidar com isso, contou sobre a experiência dos empréstimos socioambientais da  SITAWI. A concessão de crédito com taxas baixas para organizações sem fins lucrativos e negócios sociais com modelos sustentáveis, ​​que geralmente, não atendem os critérios  dos bancos comerciais.

“Um exemplo de organização beneficiada por esse mecanismo é o CIES, um negócio de impacto que realiza diagnósticos médicos em unidades móveis de saúde que atende áreas vulneráveis ​​em parceria com corporações e setor público. Com 3 empréstimos da SITAWI, o CIES conseguiu ampliar o número de atendimentos. Até 2015, eles haviam atendido 390 mil pacientes com exames médicos, diagnósticos e cirurgias de baixo custo e treinado 19.500 enfermeiros e médicos para fornecer serviços básicos similares em suas comunidades”, pontuou.

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Hoje, a SITAWI também está trabalhando com o estado do Ceará para lançar o primeiro Contrato de Impacto Social (CIS) do país focado na saúde. Um vínculo de impacto social é uma mecanismo de pagamento por resultado utilizado em vários países, com a colaboração investidores e governos.

Antony Bugg-Levine, líder de finanças sociais e CEO do Nonprofit Finance Fund, fez a fala de encerramento do evento. Ele contou a história da NFF – lançada há mais de 37 anos e inspiração para a criação da SITAWI – que é hoje um dos maiores fundos de investimentos comunitários dos Estados Unidos, fornecendo US$ 620 milhões em financiamento e acesso a capital que suporta US$ 2,3 bilhões em projetos para milhares de organizações em todo o país durante sua história.

Ele lembrou ao público o papel crítico das organizações de finanças sociais em apoiar a inovação e a sociedade civil e os desafios enfrentados pelos empresários que talvez não tenham o mesmo apoio institucional e filantrópico que o NFF alavancou ao longo dos anos nos EUA.

“Organizações como SITAWI e Finance for Good Brazil podem fortalecer o setor de finanças sociais no Brasil para que os empreendedores sociais tenham as ferramentas de que precisam para resolver grandes problemas”, declarou Antony.

Julia Wilkinson, da Finance for Good Brazil, comentou sobre suas expectativas em relação ao ecossistema:

“Acreditamos em um Brasil onde um forte ecossistema de finanças sociais oferece aos empresários o capital e o apoio necessários para criar e dimensionar soluções para desafios como a desigualdade e as mudanças climáticas”, declarou Wilkinson.

A SITAWI será a beneficiária piloto da Finance for Good Brazil. A iniciativa nasce com o objetivo de captar recursos nos Estados Unidos para apoiar organizações brasileiras que estejam inovando no campo das Finanças Sociais. Dessa forma, pessoas residentes dos EUA que desejem fazer filantropia no Brasil podem contactar a FFG-Brazil para auxiliar no processo. Saiba como apoiar: http://www.financeforgoodbrazil.org/

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