“Startup do Rio investe em energia solar no Morro Dona Marta”, reportagem no site G1 em 14/11/14

Painel será instalado em creche comunitária e vai reduzir conta de luz.
Projeto é voltado para moradores de comunidades pacificadas.

Lilian Quaino Do G1 Rio
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Condições da luz solar na comunidade captadas pelo aplicativo para celular Sun Seeker (Foto: Divulgação/Henrique Drumond)

Ainda no primeiro trimestre de 2015, a comunidade do Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, contará com um projeto piloto de energia solar que vai reduzir a conta de luz da creche onde será instalado. O projeto é da startup Insolar, do empreendedor carioca Henrique Drumond, premiado no programa Iniciativa Jovem, da Shell. O objetivo é democratizar a energia solar e o público alvo são os moradores de comunidades pacificadas do Rio.

Além do prêmio de R$ 8 mil da Shell, a Insolar teve um aporte de R$ 10 mil da Sitawi Finanças do Bem, organização sem fins lucrativos que desenvolve soluções financeiras inovadoras para impacto socioambiental, incluindo empréstimos sociais. Com esse valor e com a parceria de outras empresas do ramo, Henrique diz que consegue instalar o painel fotovoltaico, que vai captar a energia solar para que seja transformada em eletricidade. Mas ele participa ainda da chamada pública da Light para apoiar projetos de eficiência energética.

Ele explica que o Programa de Eficiência Energética (PEE) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determina que as distribuidoras de energia reservem 0,5% da receita operacional para projetos de eficiência energética.

“No caso da Light, representa um montante de R$ 30 milhões anuais. A Light e as demais distribuidoras de energia fazem chamadas públicas de projetos para atrair e apoiar projetos e a Insolar está participando”, explicou.

A Insolar vai instalar o painel fotovoltaico na creche de graça, mas, numa segunda etapa do projeto, quando os painéis poderão ser instalados nas casas dos moradores, a empresa pretende cobrar um percentual sobre o que o consumidor vai economizar na conta da luz.

“A gente atua em rede, através de parcerias. Nosso primeiro contato com o Dona Marta foi por meio de amiga que mora lá. Depois tivemos apoio da Rio+Social, programa da prefeitura de investimentos nas comunidades pacificadas. Outros parceiros são Solarize e Joneson, que já instalaram painéis fotovoltaicos conectados às redes das distribuidoras”, contou.

Para ele, a instalação do painel é a cereja do bolo. Antes disso, tem muito trabalho com a comunidade.

“Para que a gente fomente esse mercado de energia solar, é preciso conscientização ambiental e, para isso, vamos oferecer educação ambiental na creche e capacitação e treinamento para os profissionais da comunidade para que o projeto possa se desenvolver. Não faz sentido instalar um equipamento e não fomentar o mercado com mão de obra qualificada. O projeto não é nosso, a gente entende que possa ser da comunidade”, disse.

Henrique Drumond é carioca, tem 31 anos, formado em administração de empresas e mora na Lagoa, mas prefere dizer que é um morador do Rio. Depois de uma experiência numa grande empresa do mercado imobiliário e outra como voluntário numa ONG em Moçambique, na África, resolveu unir os dois mundos e investir, com o sócio Michel Baitelli, num negócio social.

“O nosso interesse é pelos negócios sociais para gerar impacto positivo para a sociedade. A gente adotou esse modelo de negócio social, que tem uma formatação diferente, fica entre o modelo negócio tradicional e o modelo de uma ONG, porque tem como propósito o impacto socioambiental. Mas também presume que o negócio vai seu autossustentável financeiramente”, explicou.

Para Henrique, o papel do programa Iniciativa Jovem foi fundamental na elaboração do plano de negócios.

“É fundamental para o empreendedor um plano de voo, uma carta náutica. Como diz o navegador Amyr Klink, se não sabe para onde vai nem o vento é favorável”, disse.

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