SITAWI recomenda – “Não é o que você doa, mas sim como você doa”

Caroline Fiennes, com quem almocei em Londres após o Skoll World Conference on Social Entrepreneurship de 2012, acaba de lançar o livro “It ain’t what you give, it’s the way that you give” – “Não é o que você doa, mas sim como você doa”, em tradução livre.

O livro traz conceitos importantes para doadores e para organizações sociais. Sua tese central afirma que para melhorar o mundo ao máximo, doadores devem seguir quatro princípios: 1) usar todos seus ativos, 2) tomar decisões informadas, 3) ajudar, não atrapalhar e 4) maximizar o que já existe.

Além de simples, os princípios abordados no livro causam reflexões significativas. Um dos conceitos abordados ilustra que o percentual de gastos administrativos de uma organização social não é uma variável relevante para avaliar seu impacto. Na verdade, este pode até mesmo ser o inverso do que naturalmente pensaríamos: organizações que investem mais em seus profissionais deverão gerar melhores resultados, pois pessoas mais preparadas podem desenhar e implementar estratégias mais eficazes. No entanto, gastos administrativos não possuem uma correlação com impacto social e por isso podemos observar organizações extremamente eficientes com poucos custos e muito impacto e instituições com muitos custos e pouco impacto.

Sobre o ‘ajudar, não atrapalhar’, Caroline descreve uma situação que parece inusitada onde um doador consegue gerar custos para o setor social maiores do que a sua própria doação. Muitas organizações, por exemplo, acabam investindo tempo e recursos valiosos em tarefas secundárias ao seu impacto social como processos de aplicação dos recursos e em trabalhosos relatórios.

Outro conceito interessante que a autora aborda é o processo de escolha de qual área um doador deveria apoiar: começando com ‘onde está sua paixão?’, seguem-se perguntas mais racionais sobre ativos, habilidades disponíveis e o trade-off entre ações de alcance limitado e impacto mais provável e ações de mais longo prazo, de difícil acompanhamento, mas com um potencial de impacto muito maior.

O livro ainda enfatiza o método do ‘ensaios clínicos aleatórios’ para atribuir o impacto de intervenções sociais, o que raramente é feito (no Brasil ou no Reino Unido), mas não deixa de ser uma boa aspiração.

Carolina é diretora da Giving Evidence – companhia especializada em aconselhamento para filantropos. Ela já aconselhou milhares de doadores quanto ao uso efetivo de seus recursos, incluindo Eurostar, ERM ( a maior consultoria de meio ambiente do mundo), Sainsbury Family Charitable Trusts, Big Lottery Fund, BBC Children in Need, famílias, indivíduos e governos. Previamente, Carolina liderou a New Philantrophy capital e trabalhou no Grupo Monitor como consultora para estratégia e sustentabilidade.

A leitura parece uma conversa na sala de um amigo, que por acaso entende muito sobre filantropia. Recomendo!

Leonardo Letelier
Nobis Cartel

Para comprar o livro, acesse http://giving-evidence.com/book2/.