Em 2019, foram captados R$ 2,89 bilhões em títulos verdes

Em 2018, apenas duas emissões verdes foram feitas no Brasil. Entretanto, em 2019, a SITAWI já emitiu 6 pareceres de segunda opinião para títulos verdes que captaram R$ 2,89 bilhões. 

Os Títulos Verdes (green bonds) são instrumentos de dívida como debêntures, Letras Financeiras, CRA, LCA e FIDC que se comprometem a financiar ativos verdes ou que visem a mitigação das mudanças climáticas. Os participantes do mercado de títulos verdes incluem, além dos participantes usuais do mercado de títulos de dívida, agentes de avaliação externa, que atestam, por meio de um parecer independente, os atributos ambientais positivos dos projetos para os quais os recursos captados serão destinados.

Parecer de Segunda Opinião e apoio à certificação de Títulos Verdes

A SITAWI é a única organização brasileira com experiência na elaboração de parecer de segunda opinião de títulos verdes. Este parecer constitui uma avaliação das credenciais verdes do título, garantindo que os recursos serão destinados para projetos verdes, além de analisar a performance socioambiental do emissor e dos projetos a serem financiados pelo título. Também assessora seus clientes para obterem a certificação dos seus títulos pela Climate Bonds Initiative (CBI), serviço realizado em conjunto com a Vigeo Eiris.

Desde 2015, a SITAWI deu parecer positivo a 100% (16 emissões) dos títulos verdes no mercado doméstico brasileiro, que levantaram R$ 5,2 bilhões em recursos para projetos de geração e transmissão de energia renovável, manejo florestal sustentável, reciclagem e ecoeficiência industrial. Outras 6 empresas brasileiras emitiram no exterior, captando USD 4,5 bilhões. 

De acordo com Gustavo Pimentel, Diretor da SITAWI, o mercado brasileiro de green bonds pode chegar a R$ 100 bilhões nos próximos 5 anos. A primeira emissão de uma empresa brasileira aconteceu em 2015, quando a  BRF captou 500 milhões de euros, porém com colocação no exterior. A primeira emissão doméstica aconteceu um ano depois, quando a Suzano Papel e Celulose captou R$ 1 bilhão. Existe um movimento crescente no mundo de fundos, bancos e investidores institucionais que reservam parte do seu portfólio para comprar títulos verdes.

Neoenergia

Em julho de 2019, a Neoenergia captou R$1,29 bilhão em debêntures verdes. Os recursos líquidos serão destinados para o pagamento futuro ou reembolso de gastos pela companhia nos últimos dois anos relacionados ao desenvolvimento, construção e operação de uma usina hidrelétrica no Paraná, parques eólicos no Nordeste e ativos de transmissão em vários estados brasileiros. 

AES Tietê

A AES Tietê se tornou a primeira empresa brasileira a emitir green bonds de projeto solar no Brasil, que resultou na captação de R$820 milhões, com prazo de vencimento de 10 anos. Os recursos obtidos com a emissão serão destinados às usinas solares de Guaimbê e de Ouroeste, que atualmente são os maiores projetos de energia solar do estado de São Paulo. Os dois projetos possuem contratos de longo prazo e contribuirão para o abastecimento do sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil.

Taesa

A Taesa captou  R$210 milhões em debêntures verdes em maio de 2019. Os recursos serão destinados para construção de 3 novas linhas de  de transmissão que contribuirão para o melhor escoamento de energia renovável alternativa no Brasil.

Grupo Sabará

O Grupo Sabará é a primeira empresa do setor químico a emitir títulos verdes no Brasil.  O private placement de uma debênture verde de R$20 milhões foi destinado ao refinanciamento da única planta de produção de Clorito de Sódio do Brasil, na qual toda energia utilizada no processo produtivo é obtida por meio de fontes renováveis e a produção é totalmente limpa, sem gerar nenhum tipo de resíduo.

Athon Energia

A Athon é a primeira empresa a emitir títulos verdes para geração de energia solar distribuída no Brasil. A debênture verde de R$40 milhões destinará recursos para seis plantas de geração solar em Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará.

Celulose Irani

A Celulose Irani é a segunda empresa florestal brasileira a emitir um título verde no mercado doméstico, uma debênture no valor de R$ 505 milhões. Os recursos serão utilizados para o manejo florestal sustentável e certificado da companhia, bem como refinaciamento de uma unidade de reciclagem de papel adquirida recentemente.