Plataforma de empréstimo coletivo já levantou mais de R$ 1 milhão para negócios de impacto

Parceria entre SITAWI Finanças do Bem e Instituto Sabin possibilita linha de crédito com juros baixos para organizações de impacto socioambiental positivo. Valores serão emprestados principalmente por pessoas físicas.

Há pouco mais de um mês no ar, a Plataforma de Empréstimo Coletivo SITAWI, lançada pela SITAWI Finanças do Bem com o apoio do Instituto Sabin, já passou dos R$ 1 milhão levantados em empréstimos para negócios de impacto socioambiental positivo. Das 5 organizações que entraram na plataforma, duas já alcançaram sua meta, bem antes do fim do prazo máximo para captação, definido como 12 de agosto.

A plataforma está disponível no site www.emprestimocoletivo.net. Nela é possível  pesquisar o perfil, o impacto e projeções financeiras dos negócios, e emprestar aos que estiverem com captação aberta. O valor mínimo de empréstimo é R$ 1 mil.  E o repagamento será mensal, com juros de 1% (também ao mês). Em até 24 meses os investidores terão recebido todo o dinheiro emprestado de volta. Toda a operação é realizada através do modelo de P2P lending, em parceria com a CapRate.

Os negócios usarão o dinheiro para alavancar suas operações. A Coopsertão, cooperativa de Pintadas, na Bahia, e primeira organização a alcançar a meta, planeja dobrar sua produção de polpa em 2019. “Hoje conseguimos comprar entre 2% e 3% da produção de frutas dos associados da nossa cooperativa. Com o empréstimo queremos chegar a 50%”, afirma Valdirene Oliveira, presidente da Coopsertão. Para Valdirene, o apoio dos investidores que participaram do empréstimo coletivo dará um novo horizonte para a cooperativa – e terá um grande impacto na região de Pintadas, um município com cerca de 10 mil habitantes. “Nossa realidade é difícil, principalmente por causa do clima. É uma satisfação, e uma motivação, saber que pessoas de tantos lugares do país acreditam no nosso projeto”, diz. 

Escolha dos projetos

As organizações que estão na plataforma foram selecionadas pela SITAWI Finanças do Bem com base em seu crescimento histórico, na sustentabilidade financeira, no impacto e na liderança. A soma de todos os valores buscados pelos negócios é de R$ 1,5 milhão. “Trabalhar com finanças significa tomar decisões, julgamentos que pressupõem valores integrados nas decisões financeiras. Esses valores ficam entrelaçados no dinheiro e se movem na sociedade para construir o mundo. Dessa forma, o capital sempre se move com valores e cabe a nós decidir que valores são esses e o que colocamos na frente do dinheiro”, diz Leonardo Letelier, fundador e CEO da SITAWI Finanças do Bem. 

Democratização do investimento de impacto

A SITAWI Finanças do Bem foi pioneira em empréstimo coletivo de impacto no Brasil e agora expande sua atuação para diminuir barreiras rumo à democratização do investimento de impacto no Brasil. Por isso a escolha do modelo de crowdfunding, que já soma US$ 34 bilhões por ano em todo o mundo, e deve crescer 10 vezes até 2025. “O investimento de impacto tem crescido em reconhecimento e em valor movimentado, mas ainda há grandes barreiras para que o investidor comum possa aplicar seu dinheiro com mais propósito. Do outro lado, estão os negócios de impacto, que necessitam de capital para crescer e seguir impactando positivamente o meio ambiente e a vida de milhares de pessoas”, comenta Andrea Resende, Gerente de Finanças Sociais da SITAWI.

Com esse espírito, a plataforma de empréstimo coletivo surgiu por iniciativa  da SITAWI, com dez anos de experiência e histórico em investimento de impacto, e do Instituto Sabin, com articulação e foco em inovação em finanças sociais. O aporte inicial do Instituto foi de R$ 500 mil, em uma estrutura de blended finance, em que o capital filantrópico é usado para subsidiar a operação, prover investimento âncora e atrair investidores de mercado.

Fábio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, explica que a plataforma é semelhante à vaquinha coletiva, só que com um viés diferente: os recursos são captados como empréstimos, não como doações. “Nosso objetivo é que o investimento do Instituto alavanque mais recursos de pessoas físicas e jurídicas”, explica.

Além de trazer recurso novo para organizações com poucas opções de empréstimo disponíveis, a plataforma visa a consolidar o financiamento coletivo como instrumento financeiro de impacto. “Com essa iniciativa as organizações de impacto social terão oportunidade de obter empréstimos a uma taxa de juros razoável, o que não é possível atualmente nos bancos públicos e privados”, elogia Fábio.

Negócios selecionados

Confira os 5 negócios de impacto que estão na plataforma de empréstimo coletivo: 

COOPSERTÃO (captação encerrada):  

A  Cooperativa Ser do Sertão – COOPSERTÃO reúne produtores do ramo Agropecuário de Agricultura Familiar em Pintadas, no interior da Bahia. Fundada em 2008, tem como missão promover o fortalecimento da agricultura familiar por meio do cooperativismo, com práticas agroecológicas e profissionalização das unidades produtivas. A cooperativa foi uma iniciativa de mulheres da região, sendo ainda gerida por maioria do gênero feminino e com participação relevante de produtoras mulheres na base de associados. Ao final do seu 2° ano de funcionamento, a organização escoava basicamente umbu e frutas típicas da região, transformando-os em geléias, doces e polpas.  Hoje, após 10 anos de existência, está expandindo uma fábrica de polpa de frutas. Todo o excedente da operação é redistribuído para a implementação de técnicas agrícolas agroecológicas, com o intuito de possibilitar a produção durante todo o ano, sem que a seca interrompa o processo produtivo. ODS principais: 2 Fome Zero, 3 Saúde e Bem-Estar, 5 Igualdade de Gênero e 12 Consumo e Produção Responsáveis.

Orgânicos in Box:  

Fundada em 2014 no Rio de Janeiro, a organização nasceu da vontade de disponibilizar alimentos

orgânicos certificados para consumidores a preços abaixo do comumente praticado neste segmento – além de valorizar o pequeno produtor rural, que passa a contar com uma fonte de escoamento confiável para seus produtos, a preços justos. Para isso, a Orgânicos in Box desenvolveu uma plataforma de e-commerce de produtos orgânicos 100% certificados, que espalha comida orgânica pela cidade do Rio de Janeiro. Desde o início de sua operação, a Orgânicos já comercializou aproximadamente 300 toneladas de alimentos livres de agrotóxicos, crescendo atualmente a um ritmo de 10 toneladas por mês. ODS principais: 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, 3 – Saúde e Bem-estar e 6 – Água potável e saneamento.

UPSaúde  (captação encerrada): 

A UPSaúde é uma empresa criada no Rio Grande do Norte em 2018 com o objetivo de melhorar diversos aspectos de comunicação da Saúde Pública, visando à diminuição de filas e promovendo fácil acesso à informação. Através de um aplicativo de inteligência de dados, a organização atende dores de todos os públicos da saúde pública, apresentando funcionalidades para médicos, gestores hospitalares e pacientes. Graças a marcações de consultas online, disponibilização de relatórios gerenciais e de telemedicina, já promoveu uma redução, em média, de 38% das filas para atendimento nos municípios que contrataram o serviço. ODS principais: 1 – Erradicação da Pobreza e 3 – Saúde e Bem-Estar.

Stattus4:

Desenvolve softwares para Gerenciamento de Distribuição de Água, com foco na detecção automática de vazamentos na rede de distribuição. Localiza vazamentos com mais eficiência do que os métodos tradicionalmente usados, além de acrescentar inteligência ao serviço: indica consumo de água, pontos de atenção para possíveis perdas e relatórios baseados em inteligência artificial, para dar mais precisão e rapidez ao diagnóstico. A Stattus4 foi fundada em 2016 em Sorocaba, interior de São Paulo. Já tem contratos com distribuidoras privadas e públicas de água, como a Iguá Saneamento (por meio da Águas Cuiabá), e também com distribuidoras de gás, graças a ajustes pequenos no sensor. Sua solução já reduziu de 30% para 18%, por exemplo, a perda bruta de água da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (SANASA), em 2019. ODS principais: 6 – Água potável e Saneamento, 9 – Indústria, inovação e Infraestrutura e 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis.

Inteceleri:

Fundada em 2013 no Pará, a Inteceleri é uma é uma startup paraense que nasce da iniciativa de pais e professores que tinham filhos e alunos com dificuldades no aprendizado da matemática em formato tradicional, uma realidade nacional. A empresa desenvolve metodologias de ensino, apoiadas por jogos educativos digitais e equipamentos de realidade virtual, que são utilizados por professores e alunos. Todo o conteúdo é desenvolvido para associar os problemas propostos no ambiente escolar ao cotidiano do aluno, favorecendo o desenvolvimento do senso matemático de maneira interativa e lúdica, com foco no protagonismo do aluno. Um de seus grandes sucessos, o aplicativo Matematicando, facilita o aprendizado através de tabuadas coloridas, e estimula a melhoria do cálculo mental e do raciocínio lógico. A empresa, inclusive, é habilitada como parceira do Google pela Educação. A Inteceleri já beneficiou mais de 249 mil alunos e mais de 8 mil professores em 14 cidades na região Norte e Nordeste do Brasil. ODS principais: 4 – Educação de Qualidade, 10 – Redução das Desigualdades.

 

A 1° Rodada de Empréstimo Coletivo tem como parceiro estratégico o Instituto Sabin, como parceiros de desenvolvimento a CapRate, a Oficina de Impacto, a TozziniFreire Advogados e a Vieira Rezende Advogados, e o apoio da Rede Dinheiro e Consciência na distribuição. Para saber mais sobre os negócios e participar como investidor, acesse www.emprestimocoletivo.net.