Investidores profissionais brasileiros assinam declaração inédita em apoio às políticas de transição resiliente e de baixo carbono

Com mais de R$ 873 bilhões em ativos sob gestão (AUM), um grupo com 18 investidores assinam uma declaração em apoio de políticas que enderecem a mitigação das mudanças climáticas. Essa é a primeira vez que casas de investimento brasileiras assumem o protagonismo de um posicionamento a favor do clima. O documento faz parte da iniciativa Investidores Pelo Clima, promovida pela SITAWI Finanças do Bem, consultoria especializada em Finanças Sustentáveis, com apoio do Instituto Clima e Sociedade. 

Itaú Asset Management, Sulamérica Investimentos, JGP e Rio Bravo estão entre os signatários do documento que destaca a necessidade urgente de colaboração entre os setores público e privado para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Arien Invest, Blue Macaw, Crescera Capital, Darby International Capital, FAMA Investimentos, FRAM Capital, Indie Capital, Mauá Capital, NEO Investimentos, Núcleo Capital, OABPrev RJ, Quasar Asset Management, RPS Capital e Taler Planejamentos Financeiros também assinam a declaração. A carta solicita cooperação para regulação de mecanismos de precificação de carbono e fortalecimento da fiscalização ambiental para eliminação do desmatamento ilegal

O manifesto lançado durante a Conferência das Partes (COP26), em Glasgow, também sugere o comprometimento do país com a implementação de metas net zero até 2050, com objetivos “claros e ambiciosos”, segundo o documento. Essa mobilização do setor financeiro é inédita, destaca a gerente de Programas em Finanças Sustentáveis da SITAWI, Tatiana Assali

Rafael Gersely, CFA, especialista de Finanças Sustentáveis da SITAWI no lançamento da declaração durante a COP26

“O posicionamento dos gestores de ativos sinaliza para o mundo que os investidores brasileiros também estão atentos às mudanças climáticas e entendem a importância desta transição econômica, uma vez que detém o capital para financiar um modelo de desenvolvimento sustentável e alinhado aos compromissos do Acordo de Paris”, afirma a executiva responsável pelo IPC liderado pela SITAWI Finanças do Bem e Instituto Clima e Sociedade (iCS). 

Para o vice-presidente de Investimento, Vida e Previdência da SulAmérica, Marcelo Mello, a iniciativa não só mostra alinhamento do mercado financeiro à agenda ESG como também reforça o compromisso dos gestores com a sociedade.

“O enfrentamento da crise climática é um grande desafio para o setor financeiro, pois pode colocar em risco sua estabilidade e o modo como conduzimos nossos negócios atualmente. O papel de iniciativas como o IPC é extremamente relevante, pois traz a urgência da ação e do direcionamento de capital para ações efetivas no enfrentamento, ao mesmo tempo em que formalizam uma agenda prioritária junto às empresas, investidores e governo. Apoiamos e endossamos a declaração por entendermos que está alinhada à agenda ESG da SulAmérica Investimentos e com os compromissos assumidos com nossos clientes e com toda a sociedade”. 

Para José Pugas, sócio e responsável pelas estratégias de crédito sustentável da JGP, a assinatura da Declaração é uma forma de vocalizar publicamente o alinhamento dos investidores às diretrizes e visão de mundo contida no documento e também  uma provocação para que demais investidores também percorrem essa trajetória. 

“O setor financeiro começa a ter uma consciência cada vez maior de seu impacto na geração de externalidades, tanto positivas como negativas, e na transição para uma economia mais regenerativa e inclusiva. Desde a publicação da adesão da JGP ao modelo de capitalismo de stakeholders, temos criado estratégias para que as nossas decisões acelerem a consolidação desse novo modelo econômico”, afirma. 

Na visão de Gustavo Pinheiro, Coordenador do portfólio de Economia de Baixo Carbono do iCS, no Brasil, um dos principais desafios para a agenda climática é o combate ao desmatamento. 

“Gestores de ativos demandando compromissos climáticos do governo significa que o mercado brasileiro está atento ao movimento global de descarbonização da economia nesta década. Há oportunidades em todos os setores, mas para atrair investimentos o governo precisa combater o desmatamento que corrói a credibilidade do Brasil no exterior”. 

Adesão de novos signatários 

O movimento de investidores brasileiros tem como objetivo deixar clara a importância da participação de todos na jornada por uma economia alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e de baixo carbono, e especialmente  demonstrar que essa agenda está sendo considerada também pelo mercado financeiro local. A declaração seguirá aberta para novos signatários buscando dar ainda mais peso à mensagem de descarbonização. Entre as premissas do manifesto, está o entendimento de que os efeitos da pandemia da COVID-19 expuseram com clareza a relação de interdependência de toda a sociedade, tornando ainda mais relevante o engajamento global e a necessidade de um bom planejamento, execução e  gestão dos riscos relacionados à emergência climática. 

Interessados em endossar a iniciativa têm até o dia 15/11 para manifestar interesse. Leia a declaração na íntegra: em português e em inglês