Investidores com R$1,2 trilhão assinam compromisso com questões climáticas

Desde outubro de 2019, quando o IPC – Investidores pelo Clima foi lançado, um grupo de 15 investidores profissionais brasileiros com patrimônio sob gestão superior a R$ 2 trilhões vem se reunindo para se capacitar e traçar formas de atuação frentes às mudanças climáticas. Após seis encontros, quatro desses investidores decidem assumir formalmente e publicamente o compromisso dos “Investidores pelo Clima”.

BTG Pactual Asset Management, Itaú Asset Management, JGP e Santander Asset Management foram as primeiras instituições a assinarem o compromisso da iniciativa liderada pela SITAWI Finanças do Bem, apoiada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com o CDP e PRI (Principles for Responsible Investment). Acesse o documento completo aqui

O protagonismo em assinar este compromisso é especialmente relevante no contexto atual de pandemia de COVID-19, pois representa um olhar para a potencial maior crise do futuro.

“Entendemos que ainda há um longo trabalho a ser realizado para que o tema ganhe a relevância necessária. Nesse contexto, o IPC ampliará e reforçará sua atuação pelos próximos três anos, buscando engajar, capacitar e comprometer mais investidores, inclusive ampliando o escopo e profundidade de atuação da iniciativa”, afirma Carla Schuchmann, Gerente de Finanças Sustentáveis da SITAWI e líder do IPC.

Ao aderir ao compromisso, os investidores declaram a importância dos desafios, riscos e oportunidades impostos pelas mudanças climáticas. Este documento também afirma que é parte do dever fiduciário dos investidores, perante aos clientes e beneficiários, prezar pela segurança, resiliência e perenidade de seus investimentos, bem como contribuir para um futuro seguro para as próximas gerações. Nesse contexto, se comprometem em reportar publicamente o avanço na gestão dos riscos e oportunidades climáticas, quando possível de forma alinhada às diretrizes da Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD).

Adicionalmente, os investidores se comprometem a exercer propriedade ativa, por meio de práticas de engajamento e voto, em relação ao tema. Como destaca o compromisso, os investidores seguirão atuando de maneira conjunta no tema, sendo esses os primeiros passos nessa jornada. 

Além do compromisso, o IPC está atuando em outras duas importantes ações: (1) análise e gestão de produtos de investimento com o olhar climático em 10 portfólios de 6 investidores; (2) campanha de engajamento coletivo de 6 investidores com empresas intensivas em emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Beatriz Freitas, diretora-executiva Ambiental, Social e de Governança (ASG) do BTG Pactual, afirma que “em 2019, demos um passo importante e enriquecemos as discussões com outros investidores acerca dos riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas. Temos muitos desafios pela frente em relação à agenda do clima, em especial àqueles ligados a divulgação das informações que as empresas investidas fazem desses aspectos e os impactos e oportunidades relacionados de seus respectivos negócios. O trabalho conjunto que faremos nos próximos três anos junto ao IPC marcará uma nova fase na integração dos aspectos ASG na análise dos ativos e no processo de tomada de decisão dos investidores”.

Renato Eid Tucci, Gestor de Portfólio da Itaú Asset Management, reforça que “as mudanças climáticas apresentam riscos e oportunidades com potencial de impactar o valor dos ativos em que investimos. Nossa participação na iniciativa IPC tem como objetivo contribuir para que a indústria de investimentos siga avançando na integração do tema mudanças climáticas nas análises e decisões de investimento, ao mesmo tempo em que incentiva mais transparência e reporte por parte das empresas investidas. Trata-se de mais um passo relevante em nossa jornada de incentivar as boas práticas relacionadas ao investimento responsável”.

De acordo com Marcos di Tullio, Analista de Investimento, “a JGP considera os critérios ESG como parte de seu dever fiduciário. Uma das principais contribuições que podemos dar à sociedade é ter papel ativo no processo de incentivo à adoção das melhores práticas sustentáveis por parte das empresas. Companhias que ainda não enxergam a importância das questões climáticas correm o risco de deixar de existir, como ocorrido com as que não deram a devida importância aos efeitos da digitalização há 20 anos”.

Leia a reportagem da Exame que pauta o compromisso.