Iniciativas de educação, acessibilidade e saúde conquistam o maior prêmio de empreendedorismo social do Brasil

Claudio Sassaki e Eduardo Bontempo, de São Paulo, venceram o 10º Prêmio Empreendedor Social com a plataforma de educação adaptativa Geekie. O Empreendedor Social de Futuro ficou com Ronaldo Tenório, Carlos Wanderlan e Thadeu Luz, de Alagoas, criadores do Hand Talk, aplicativo de tradução simultânea do português para Libras. Na Escolha do Leitor, ganhou a Pró-Rim, do médico Hercilio da Luz Filho, de Santa Catarina.

O arquiteto Claudio Sassaki, 40, e o administrador Eduardo Bontempo, 30, fundadores da Geekie, são os grandes vencedores da edição de 10 anos do Prêmio Empreendedor Social. Eles desenvolveram uma plataforma pioneira, com soluções personalizadas, para melhorar o aprendizado dos estudantes da educação básica, das redes pública e privada do país. Fundada há três anos, a Geekie já está em 90% dos municípios brasileiros, atingindo 17 mil escolas. Em 2013, 80% de seus usuários eram do ensino público.

Durante a cerimônia de premiação, realizada nesta terça-feira (2/12), Bontempo comentou que não esperava vencer, em especial, pela qualidade dos projetos que disputaram o prêmio. “Tínhamos fortes concorrentes e foi uma surpresa muito boa quando chamaram nosso nome. Esse troféu é o reconhecimento de todo o trabalho duro e da dedicação dos últimos três anos.” Ele reforçou que o processo de participação no Empreendedor Social serviu como um momento de autorreflexão sobre o trabalho que desenvolvem. Para Claudio Sassaki, o desafio agora é alcançar cada vez mais pessoas, principalmente aquelas que mais precisam. “Esse é um incentivo para continuarmos agindo em direção ao nosso objetivo, que é proporcionar uma educação de qualidade para todos”, destacou.

O publicitário Ronaldo Tenório, 28, o desenvolvedor Carlos Wanderlan, 32, e o arquiteto Thadeu Luz, 31, todos de Maceió (AL), conquistaram a 6ª edição do Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro com o aplicativo gratuito Hand Talk, que traduz em tempo real pequenos textos ou mensagens de áudio, em português, para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Lançado em julho de 2013, ele já foi eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como melhor aplicativo de inclusão social do mundo. O software é gratuito para o usuário e pode ser usado em celulares, tablets, computadores e até em totens de informação. Hoje, contabiliza mais de 180 mil downloads, em todos os estados do Brasil, e cerca de 10 milhões de traduções.

Ao agradecer o reconhecimento, Carlos Wanderlan destacou a necessidade de mais soluções acessíveis para a população brasileira. “A acessibilidade precisa ser colocada em prática, e não apenas ficar na teoria. Hoje, estamos fazendo uma pequena parte para que isso aconteça e desejamos que o poder público abrace de vez essa causa.” Thadeu Luz lembrou que existem milhões de pessoas com algum tipo de deficiência auditiva no Brasil e reforçou: “Com essa vitória, queremos servir de exemplo para estimular o empreendedorismo social e ampliar seu impacto”.

Na categoria “Escolha do Leitor”, venceu o médico Hercilio da Luz Filho, 52. Ele fundou e preside a maior entidade filantrópica na área de nefrologia no Brasil, a Fundação Pró-Rim. A entidade recebeu 47% dos quase 65 mil votos dos internautas que participaram. Hercilio agradeceu a mobilização de toda a rede de contatos ligada à Fundação. “Estar entre os finalistas já foi uma grande conquista e motivo de muito orgulho para a Pró-Rim, porque todos os nossos 650 colaboradores têm a missão de salvar vidas. Com certeza, daqui pra frente, vamos nos desenvolver ainda mais no intuito de realizar nosso maior sonho, o de construir um hospital próprio para fazer lá os transplantes de rins de nossos pacientes.” A Fundação Pró-Rim é mantida com recursos de doadores e prestação de serviços ao SUS.

A premiação

A entrega dos prêmios aconteceu em cerimônia para convidados no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na capital paulista. Pela primeira vez em 10 anos, contou com a presença de Hilde Schwab, mentora da Fundação Schwab, realizadora do Empreendedor Social em dezenas de países. Em seu discurso, Hilde se disse honrada e feliz por participar de um momento tão importante de celebração e reconhecimento das iniciativas de brasileiros. “O papel desses líderes é o caminho para a transformação do mundo. E, sem dúvida, os empreendedores sociais representam uma das formas de melhorar a sociedade, tornando-a mais inclusiva e próspera”, observou. A premiação foi transmitida ao vivo pelo site da Folha de S.Paulo e pelo UOL, com acessibilidade para deficientes auditivos e visuais.

O concurso ficou conhecido ao redor do mundo pelo elevado rigor da seleção. Sua proposta é valorizar líderes socioambientais que atuam há pelo menos três anos, de maneira inovadora, sustentável e com impacto positivo na sociedade e em políticas públicas. No Brasil, o Empreendedor Social conta com a parceria exclusiva da Folha de S.Paulo. Maria Cristina Frias, jornalista e colunista da Folha, subiu ao palco para saudar os presentes e destacar os detalhes desse trabalho. “Nestes dez anos, tivemos mais de 2 mil candidatos, e é muito gratificante ver como os vencedores se desenvolvem com o passar dos anos”. Ela citou o exemplo do Projeto CIES, do médico Roberto Kikawa, vencedor da edição 2010, ocasião em que fazia 500 atendimentos por mês. Hoje, são 84 mil atendimentos mensalmente.

Benefícios

Concorreram com Claudio Sassaki e Eduardo Bontempo: Hercilio da Luz Filho, da Fundação Pró-Rim e Paulo Moutinho, 53, biólogo e cofundador do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), organização científica sem fins lucrativos com atuação na Amazônia Legal, que engaja cientistas e populações tradicionais na promoção do desenvolvimento sustentável por meio da pesquisa participativa.

No Empreendedor Social de Futuro, que obedece aos mesmos padrões de avaliação, com o propósito de reconhecer e promover líderes sociais em atividade há menos tempo (no mínimo, um ano e, no máximo, três anos), concorreram, ainda, Lorrana Scarpioni, 24, advogada e relações-públicas, fundadora do Bliive — uma rede social que funciona num sistema colaborativo que utiliza o tempo como moeda de troca —, e o grupo do Atados, André Cervi, 25, Bruno Tataren, 24, Daniel Assunção, 24, João Paulo Padula, 24, e Luís Henrique Madaleno, 25. O Atados é uma rede social criada na capital paulista, que conecta pessoas que desejam se engajar como voluntárias em alguma causa e atuar pelo bem comum.

Finalistas e vencedores receberão assessoria jurídica e bolsas para cursos, congressos, seminários e MBAs em instituições nacionais e internacionais. Os vencedores do Prêmio Empreendedor Social serão apresentados, em janeiro de 2015, ao Conselho da Fundação Schwab para potencial integração à sua rede mundial de empreendedorismo social. Essa inclusão propicia convites para reuniões regionais do Fórum Econômico Mundial, possível indicação para que integrem e contribuam com os Conselhos da Agenda Global do Fórum e legitimação para que sejam selecionados como integrantes da delegação de Empreendedores Sociais da Fundação Schwab.

No Empreendedor de Futuro, os finalistas que atenderem aos critérios estabelecidos pela organização serão indicados para o Fórum dos Jovens Líderes Globais e os que tiverem até 30 anos serão indicados à comunidade Global Shapers, da organização de mesmo nome do Fórum Econômico Mundial.

A Escolha do Leitor rendeu à Pró-Rim um plano de comunicação dirigido. Os 13 finalistas de ambas as premiações passam a integrar a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, um seleto grupo de líderes sociais altamente inovadores que interagem e trocam ideias, com apoio e divulgação da Folha de S.Paulo.

Site: folha.com.br/empreendedorsocial