Green bonds brasileiros somam US$ 3bi

Por Daniela Chiaretti | De São Paulo
O mercado de títulos de dívida verdes alcançou quase US$ 3 bilhões no Brasil. As emissões de dívidas de empresas brasileiras no exterior vinculadas ao financiamento de projetos socioambientais, os chamados “green bonds” ou “climate bonds”, ocorrem principalmente no setor de transporte ferroviário e, em segundo lugar, de energia.

O estudo brasileiro, que será divulgado em evento na terça-feira, em São Paulo, identifica os títulos verdes rotulados – ou seja, definidos explicitamente pelo emissor como um título verde – e os títulos climáticos. No segundo caso, são títulos de dívida emitidos pelas empresas que no entendimento da Climate Bonds poderiam ter sido rotulados, mas não foram.

A primeira emissão de títulos verdes no Brasil foi em maio do ano passado, os US$ 549 milhões da BRF, do setor de alimentos. Em julho desde ano foi a vez da Suzano Papel e Celulose fazer uma emissão de US$ 500 milhões. O estudo da SITAWI, contudo, tem linha de corte feita em maio de 2016, antes da emissão da Suzano. O mercado, naquele momento, era de US$ 2,4 bilhões e os títulos verdes rotulados correspondiam a 23% do total. No mundo esse percentual é de 17% e o mercado total, de US$ 118 bilhões.

Os títulos climáticos não rotulados somam US$ 576 bilhões globalmente. No Brasil, 54% dos títulos são relacionados ao transporte ferroviário (transporte público, trens urbanos e metrô). Energia, o segundo emissor (23%), inclui energia eólica e solar. A CPFL Renováveis foi a maior empresa a atuar neste segmento de mercado. A terceira frente, denominada multisetorial, é um mix de títulos que irão financiar a redução do consumo de água e energia elétrica, além do tratamento de resíduos.

“No Brasil esse é um mercado de emissões corporativas com alguma coisa de bancos”, diz o economista Gustavo Pimentel, diretor da SITAWI. Embora o mercado de dívida brasileiro “ainda não seja maduro e dominado por emissões soberanas”, como diz o estudo, há boas oportunidades.

“O setor florestal brasileiro, principalmente papel e celulose, tem boa gestão socioambiental, certificação forte e são indústrias exportadoras, com grande potencial de emitir dívida lá fora”, avalia Pimentel. “É uma boa combinação setorial, com qualidade de ativos verdes e possibilidade de emissão externa”, aposta.

O economista acredita que os green bonds podem estimular a economia de baixo carbono e os países a cumprirem as metas que divulgaram nas negociações do Acordo de Paris, em dezembro, as chamadas INDCs. “Os green bonds são uma forma de se mobilizar o capital privado para que se cumpram as metas ambientais dos países”, diz Pimentel.

O relatório anual da Climate Bonds Initiative, lançado em julho, é tido como a única análise mundial de títulos do gênero. Foram analisados mais de 1.700 emissores para descobrir os que tinham mais de 95% da receita provenientes de ativos benéficos ao clima.

Matéria publicada originalmente no Valor Econômico.

Acesse o estudo completo aqui.