Formas de financiamento para empreendimentos socioambientais pautam discussões no eixo Rio-São Paulo

Essa semana a SITAWI promoveu, com apoio do ICE – Instituto de Cidadania Empresarial, dois eventos que abordaram diferentes estratégias de financiamento para empreendimentos socioambientais. No dia 24 de setembro, na Casa Sou.l (RJ), o encontro contou com a participação dos especialistas Gilberto Gonçalves, Fundador e presidente da GAG Investimentos, João Pirola, Gerente de prospecção da INSEED Investimentos e Rob Packer, Gestor de fundos da SITAWI. No dia seguinte no HUB Impact em São Paulo, recebeu os palestrantes Débora Basso, Coordenadora de Busca e Seleção da Artemísia, Victor Novak, associado da VOX Capital e Leonardo Letelier, CEO e fundador da SITAWI – Finanças do Bem.

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Os eventos fizeram parte da Chamada para Empreendimentos Socioambientais, convocação feita pela SITAWI que visa apresentar formas de soluções financeiras para organizações e negócios sociais com e sem fins lucrativos. Dentre as possibilidades, está o Empréstimo Socioambiental da SITAWI que pretende desembolsar R$1 milhão a taxas muito abaixo do mercado. Apesar do principal mecanismo da Chamada ser o Empréstimo Socioambiental, outros meios de financiamento serão viabilizados por meio da rede de parceiros da SITAWI.

Para abrir as palestras, o CEO da SITAWI, Leonardo Letelier, fez algumas considerações sobre as fases de maturidade de um empreendimento (com e sem fins lucrativos) e as formas de financiamento viáveis em cada estágio desta curva de maturidade. Para entender o tipo de capital necessário, é preciso conhecer o desafio da organização, e, visto que não há um modelo único, o mais recomendado são recursos distintos. Nesse sentido, cada caso deve ser analisado por especialistas para que se chegue ao tipo de financiamento mais apropriado à especificidade da organização no momento em que ela se encontra.

Seja em Venture Capital, Private Equity, Dívida Conversível ou Empréstimos Sociais, um ponto em comum exposto por todos palestrantes, foi o a importância do bom relacionamento de parceria entre o investidor e o empreendedor. A relação deve basear-se na transparência e na confiança mútua para que a relação seja saudável e renda frutos às duas partes.

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Para financiamento de empreendimentos na “fase inicial”, os investidores de Venture Capital focam em negócios que acreditam na causa e que precisem de apoio financeiro e emocional. Isso porque os líderes dos projetos são a alma do negócio e, como seres humanos, também precisam receber investimentos. O mais importante, além do impacto e da sustentabilidade do negócio, é investir nos indivíduos empreendedores que sustentarão uma relação fértil e perene com o investidor, proporcionando desdobramentos para parceria. Apenas colocar dinheiro em uma organização não gera espontaneamente impacto social positivo. É preciso uma pessoa qualificada sustentando o projeto.

Em Private Equity, o retorno financeiro é fundamental para a sustentabilidade da parceria entre investidor e empreendedor. Por isso, o investimento é, geralmente feito em empresas com modelos de negócio comprovados e que, portanto, estejam em fase de crescimento. Apesar da preocupação com o impacto socioambiental, o foco está na criação de valor econômico e potencial de crescimento, visto que a participação societária engloba o risco compartilhado.

A fim de esclarecer os conceitos de finanças para os cerca de 50 empreendedores presentes no Rio e São Paulo, foi também analisada a diferença entre doação, empréstimo e investimento. Para que a organização escolha o melhor meio financeiro, é preciso saber o que ela necessita no momento, pois trata-se de diferentes formas de capital e cada qual possui vantagens e desvantagens. Se, por um lado a doação e o investimento pressupõem uma injeção de capital novo, por outro, gera expectativas de uso e reportes sobre o uso daquele capital. Já o empréstimo é uma ponte de tempo, pois traz capital do futuro para o presente gerando, porém, despesa financeira – os juros.

Não há receita pronta e padronizada capaz de compreender a variedade de organizações e negócios socioambientais no Brasil. As soluções financeiras devem ser personalizadas e planejadas de acordo com a fase e a aspiração da organização. Para isso, contar com a avaliação de especialistas é imprescindível. Se inspirou ou quer conhecer mais sobre as formas de capital para o seu projeto? Se inscreva na Chamada para Empreendimentos Socioambientais no link: http://www.chamada2014sitawi.net/