Emissores e investidores de Títulos Verdes no Brasil

relatório_de_pesquisa_9.inddA SITAWI Finanças do Bem realizou, a pedido do Laboratório de Inovação Financeira (LAB), uma pesquisa com emissores e investidores de Títulos Verdes no Brasil. Os resultados da consulta estão reunidos no Relatório de Pesquisa com Emissores e Investidores de Títulos Verdes no Brasil, produzido com coordenação técnica da SITAWI, disponível para download gratuito neste link.

A pesquisa identificou que o conhecimento e a participação de empresas e instituições financeiras no mercado de títulos verdes no Brasil ainda são limitados. A participação de ativos ambientais na carteira de investidores ainda é baixa, apesar da adoção de alguma prática de análise ASG (Ambiental, Social e de Governança) em investimentos já ser efetuada por mais da metade dos investidores respondentes do questionário on-line.

Ao mesmo tempo, a consulta indicou grande potencial para emissões e demanda por títulos verdes em setores da economia com potencial de crescimento no país, como os setores de energia renovável, eficiência energética e agroflorestal. Para determinar as melhores estratégias para o desenvolvimento deste mercado, a pesquisa apontou os principais fatores motivadores e barreiras para emissão e compra de Títulos Verdes.

Aumento de reputação e a ampliação da base de investidores

A principal motivação identificada para emissão de títulos verdes está associada à dimensão financeira, tendo-se em vista a percepção de que o título verde pode vir a gerar um diferencial de preço em relação ao título convencional. A exceção à expectativa geral de melhores preços e menores taxas para emissores é a motivação dos emissores pioneiros que visam uma ampliação da sua reputação e fomento do mercado. Vale destacar que os principais benefícios obtidos com emissão de títulos verdes foram o aumento de reputação e a ampliação da base de investidores. O diferencial de preço foi somente verificado no caso de emissão internacional. Neste sentido, os entrevistados destacaram que o investidor internacional tem demonstrado maior interesse pelo aspecto verde da emissão e possui menor sensibilidade a preço, comparado ao investidor brasileiro.

Destinação dos recursos a projetos ambientais

Os investidores, por sua vez, indicaram que o fator econômico é de grande relevância  na tomada de decisão de compra de títulos verdes. As entrevistas com os investidores brasileiros indicaram, no entanto, a disposição dos mesmos a aceitarem uma remuneração

ligeiramente mais baixa desde que seja comprovada a destinação dos recursos a projetos ambientais. Junta-se a isso o fato de os investidores entrevistados considerarem ser muito relevante uma definição mais robusta do que é credencial verde. Neste sentido, a criação de um guia para padronização de relatório pós-emissão de uso de recursos e impacto ambiental seria positiva, como apontaram tanto os investidores quanto os emissores entrevistados.

Vantagens e desafios para o investidor

Dentre as principais vantagens de investir em títulos verdes, a maior transparência no uso de recursos e o rigor na elegibilidade de projetos são apontados como fatores mais relevantes. Por outro lado, investidores destacam que a competição com isenção fiscal para pessoa física é uma barreira ao investimento. Neste sentido, a harmonização de incentivos fiscais é uma proposta que reverbera entre os investidores. A reduzida participação de investidores institucionais quando a emissão tem esforços restritos de distribuição (CVM 476) também é vista como uma barreira, sendo a ampliação do número de investidores participantes nesta modalidade de emissão uma proposta validada pelos participantes da pesquisa.

É relevante notar que a preferência de investidores quanto ao prazo dos títulos verdes reflete uma visão de curto prazo e maior sensibilidade a incertezas do mercado brasileiro, tendo mais de 3/4 dos respondentes respondido preferir títulos verdes de maturidade até 5 anos.

Foram identificadas as seguintes barreiras a novas emissões por parte das empresas: a necessidade de capacitação interna e custo de emissão, o qual inclui os custos financeiros, regulatórios e de alocação de recursos internos da empresa. No que diz respeito às dificuldades encontradas no processo de emissão de títulos verdes, são destaque: (1) a necessidade de validação interna para a decisão de emissão; (2) as exigências de documentação para o processo de avaliação; (3) a interação entre equipes internas; e (4) a interação com equipes externas.

A partir da confirmação dos fatores impulsionadores e barreiras do mercado, procurou-se detalhar quais tipos de incentivos seriam mais apropriados para este estágio de desenvolvimento do mercado de títulos verdes.

Enquanto incentivos regulatórios e regras internacionais mandatórias são consideradas relevantes para emissores, como registro simplificado para títulos verdes, aumento do número de investidores em emissão de esforços restritos regidas pela Instrução CVM 476 e redução de exigência de documentação e outras vantagens para empresas menores; investidores tendem a se posicionar a favor de ações voluntárias e, num extremo, pelo fim da isenção fiscal para pessoas físicas, de forma a ampliar a participação de investidores institucionais em títulos atualmente incentivados. Para os investidores entrevistados, o aprimoramento regulatório seria positivo se direcionado ao emissor através de redução dos custos de emissão, à comprovação dos impactos e benefícios ambientais dos projetos e à adequada e efetiva alocação dos recursos.

Guia “NÃO PERCA ESSE BOND”

As emissões de Títulos Verdes por organizações brasileiras já somam R$ 15,6 bilhões (Set/2018) e estão associadas, principalmente, aos setores de energia eólica e papel e celulose. Para estimular o mercado brasileiro de Títulos Verdes a crescer em volume e alinhamento à agenda ambiental e climática do país, a SITAWI, com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), lança a publicação “NÃO PERCA ESSE BOND: ativos e projetos elegíveis à emissão de Títulos Verdes em setores-chave da economia brasileira”. Baixe gratuitamente.