Comunitários realizam soltura de mais de 51 mil filhotes de quelônios no Amazonas

Gincana Ecológica reuniu mais de 500 pessoas de 45 comunidades das Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Uacari e Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá para soltura dos filhotes de tartaruga-da-Amazônia e outras espécies de quelônios.

A atividade é o final de quatro meses de trabalho de monitores que acompanham a reprodução das espécies – da desova à soltura dos filhotes. O monitoramento é necessário porque as espécies são alvos de caçadores ilegais e contrabandistas que buscam capturar as tartarugas com cria para vender. “O monitoramento é importante para saber a efetividade da conservação, tanto das matrizes quanto dos ovos”, explicou Felipe Pires, Coordenador Local do Programa Território Médio Juruá da SITAWI.

Gilberto Olavo, gestor da RDS Uacari, explicou que as Unidades de Conservação realizam o monitoramento há mais de vinte anos, e que nos últimos anos tem aumentado as áreas monitoradas e parceiros que apoiam as atividades, o que também tem resultado em mais quelônios soltos. “Essas novas parcerias nos possibilitaram soltar mais filhotes e monitorar mais uma espécie de quelônio, o iaçá. Somando tartaruga, quelônio e iacá, nós chegamos a 325 mil filhotes no ano de 2019, uma evolução de quase 20%” contou.

O evento foi parte da Gincana Ecológica, promovida pela Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (SEMA) em conjunto com a Prefeitura de Carauari, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Associação dos Moradores Extrativistas da Comunidade São Raimundo (AMECSARA). Além da soltura das tartarugas, houve apresentação das escolas sobre educação ambiental, saúde e, também, competições desportivas.

Para Érica Figueiro, que é agente ambiental voluntária e que acompanha o pai que é monitor há três anos, a gincana é um momento de celebração: “A gente vê o resultado de um trabalho de mais de 20 anos, que não é um trabalho fácil. E tem valido a pena. Se não tivessem pensado há 20 anos nas futuras gerações, na minha geração, hoje eu não saberia o que é uma tartaruga, hoje eu não saberia o que é ver um filhote de tartaruga andando pela praia, então para a gente é algo fascinante” afirma.

A SITAWI apoia os monitores que se revezam durante quatro meses na vigilância de 17 tabuleiros (as praias onde as tartarugas desovam). O suporte financeiro é necessário porque durante esse tempo os monitores têm que ficar nas praias, longe de suas comunidades e, portanto, impossibilitados de manter outras fontes de renda.

A conservação de quelônios é uma das atividades do Programa Território Médio Juruá, coordenado pela SITAWI.

Notícia originalmente publicada no site da Parceria para a Conservação da Biodiversidade da Amazônia (PCAB).