Carteira de R$ 150 bilhões de fundos de pensão do Brasil seguem critérios socioambientais

Publicado na Revista Investidor Institucional em 16 de junho 2016

Do total do patrimônio investido em renda variável e estruturados na carteira dos 50 maiores fundos de pensão do Brasil, R$ 150 bilhões seguem critérios básicos socioambientais e de governança em seus investimentos, segundo estudo da SITAWI. De acordo com o diretor da consultoria, Gustavo Pimentel, o estudo busca identificar em qual nível os fundos de pensão integram critérios ambientais, sociais e de governança (ASG) na tomada de decisão dos investimentos.

“Tivemos acesso a política de investimentos das 50 maiores fundações do país e, a partir disso, criamos uma escala para dizer se a integração dessas questões era feita, e de qual maneira”, explica Pimentel. Dentro dessa escala, foram classificadas entidades que não têm nenhum tipo de ação para adotar esses critérios e entidades que dizem que fazem, mas possuem uma estratégia apenas aspiracional em relação ao tema, sem nada concreto sendo executado. “Essas foram excluídas desse montante que computamos como patrimônio sendo investido nos critérios ASG”, destaca o consultor.

Há ainda o nível de integração básico, que diz respeito à entidade que aplica algum tipo de medida no processo decisório, como exclusão de um determinado setor na decisão de investimentos. Já no nível médio e alto, há uma implementação mais sofisticada. “No médio, a entidade demonstra que tem algum processo de análise para tomar decisões em relação aos critérios ASG, enquanto no nível avançado, temos entidades que já implantaram esse processo e apontaram metas para que essa análise seja aprimorada”, explica Pimentel.

O estudo aponta que todos os 25 maiores fundos de pensão fazem menção a questões ASG em suas políticas de investimento, mas entre os 50 maiores apenas 78% o fazem. Ainda assim, o número aumentou em relação a 2014, quando apenas 67% dos 50 maiores tinham em suas políticas a menção aos critérios ASG. “São poucas entidades com políticas básicas, médias ou avançadas em relação a ASG, mas elas tendem a ser as entidades com maiores patrimônios. O porte da entidade tem relação direta com a sofisticação da integração sócio ambiental nas políticas de investimento”, conclui Pimentel.

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O consultor aponta ainda para a questão de que os fundos de pensão brasileiros tendem a buscar esse tipo de integração apenas em práticas internas de investimento, nos portfólios geridos internamente, não estendendo esse tipo de política na terceirização da gestão. “Um caminho promissor é estender as políticas para gestor de portfólio terceirizado. A exigência atualmente é muito mais fraca na terceirização e muitas entidades tem quase 100% da gestão terceirizada”, complementa Gustavo Pimentel.

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