Brasil sobe no ranking de bolsas de valores sustentáveis

Por Beatriz Ferrari*

O Brasil subiu 14 posições no ranking das bolsas de valores sustentáveis, produzido anualmente pela Corporate Knights, empresa canadense especializada em pesquisas financeiras. O relatório Measuring Sustainability Disclosure: Ranking the World’s Stock Exchanges 2016’ analisa 45 bolsas de valores em todo o mundo, totalizando 4.469 grandes companhias de capital aberto.bolsa-de-valores

A BM&FBovespa melhorou consideravelmente sua posição, alcançando o décimo segundo lugar após figurar em 26° no relatório de 2015 e 24° em 2014. Por volta de 70% das companhias brasileiras de capital aberto reportaram todos os indicadores ambientais considerados essenciais pelos autores este ano.

O estudo analisou o nível de transparência das principais empresas listadas em cada bolsa em indicadores socioambientais considerados essenciais: folha de pagamentos, gases de efeito estufa, energia, água, resíduos, taxa de acidentes laborais e taxa de rotatividade. A ordem do ranking levou em conta a nota de transparência (50%), a nota do crescimento na transparência (20%) e a nota de velocidade de reporte das empresas (30%).

Ao longo dos cinco anos em que os estudos foram feitos (2010–14), foi registrado um aumento de 50% no reporte de gases de efeito estufa e um aumento médio de 23% para energia, resíduos e água. Ainda que o indicador de gases de efeito estufa seja o mais reportado, mais da metade das empresas de capital aberto consideradas ainda não o reportam. Os indicadores sociais de taxa de acidentes e taxa de rotatividade tiveram reporte relativamente baixo, indicando que as empresas priorizam o reporte de indicadores ambientais e a necessidade de um esforço especial para estimular aquela área.

As economias desenvolvidas continuaram liderando o ranking, com o top 3 sendo formado pela Euronext Amsterdam, Euronext Paris e Australian Securities Exchange, respectivamente. As economias emergentes, no entanto, parecem estar correndo atrás para diminuir essa diferença, apresentando um alto crescimento no nível de reporte em relação ao último ano.  A metade de pior performance tem historicamente uma baixa taxa de melhora no nível de transparência. A proporção de empresas componentes de tal grupo que reportam os sete indicadores analisados é bem baixa, flutuando em volta de 20%. Adicionalmente, o estudo sugere que os indicadores socioambientais podem ser utilizados para antecipar a performance financeira das empresas, uma vez que as ações mais valorizadas têm pelo menos um indicador reportado.

A SITAWI acredita que as questões socioambientais, ou ASG (Ambientais, Sociais e de Governança), trazem riscos e oportunidades para as empresas, podendo impactar seu perfil de risco/retorno em crédito, seguros e investimentos. Pensando nisso, desenvolveu expertise para modelar os impactos ASG nos negócios, apoiando a tomada de decisão de investidores institucionais, bancos e seguradoras. Saiba mais sobre nossa prática de Pesquisa ASG.

* Beatriz Ferrari é Analista de Finanças Sustentáveis na SITAWI