Brasil já emitiu US$ 3,7 bi em bônus verdes

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Texto de Daniela Chiaretti publicado originalmente no jornal Valor Econômico.

O mercado brasileiro de títulos verdes de dívida, os chamados “green bonds”, ultrapassou os R$ 11 bilhões – ou US$ 3,67 bilhões, com estimativa de alcançar US$ 4 bilhões até o fim do ano. Essas emissões estão direcionadas principalmente a bancar projetos de energia renovável.

Foram nove emissões com este rótulo, no Brasil, desde 2015. Depois de energia renovável, o segmento mais representativo foi o florestal, seguido por água. Depois vêm edifícios e indústria, redução de resíduos e poluição, transporte e adaptação aos impactos da mudança do clima.

As estimativas globais são de um mercado de US$ 895 bilhões, considerando-se títulos emitidos que estimulam a economia de baixo carbono, mas não foram rotulados como green bonds. Levando-se em conta apenas os títulos que vêm com o selo verde, o mercado mundial é de US$ 221 bilhões.

Os dados constam do relatório “Títulos de dívida e mudanças climáticas: análise de mercado 2017” produzido pela Climate Bonds Initiative. A CBI é uma ONG internacional que busca “mobilizar os US$ 100 trilhões do mercado de títulos para soluções climáticas”, como está descrito em seu site. A publicação anual é encomendada pelo HSBC e será lançada hoje no Brasil.

“O Brasil tem potencial de ser um dos maiores mercados de green bonds do mundo”, disse ao Valor Justine Leigh-Bell, diretora de desenvolvimento de mercado para a iniciativa climática da CBI. “O que se conseguiu aqui nestes dois últimos anos, que foram muito desafiadores na história do Brasil, mostram isso”, continua, referindo-se ao desempenho do setor mesmo diante da crise econômica e política brasileira.

Globalmente, o setor de transportes representa 61% do mercado. O setor de energia é o segundo colocado, englobando tanto geradoras como fabricantes de equipamentos, com 19% do total.

No Brasil, contudo, o mercado de green bonds pode assumir outro perfil. O capítulo brasileiro do estudo da CBI é escrito pelos técnicos da Sitawi, instituição que busca desenvolver soluções financeiras com aplicação socioambiental. “O mercado brasileiro decolou e começou a acontecer”, avalia Gustavo Pimentel, diretor da Sitawi. Ele enxerga grande potencial na agricultura de baixo carbono e também para financiar infraestrutura sustentável. “Faria todo o sentido”, segue Pimentel.

O mercado brasileiro amadurece, também, na governança. Em 2016 foi criado o Conselho de Finanças Verdes do Brasil, uma parceria da CBI com o Cebds, e com perfil mais próximo ao setor privado. Em agosto foi a vez do Laboratório de Inovação Financeira, iniciativa conjunta da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para encontrar formas de financiar o desenvolvimento sustentável no Brasil.

O relatório lembra que a meta climática brasileira (NDC), no Acordo de Paris, de reduzir em 37% as emissões até 2025 e em 43% até 2030, em comparação com os níveis de 2005, tem como estratégia aumentar a eficiência energética em 10%, o consumo de bioenergia para 18% e as energias renováveis em 45%, além de restaurar 12 milhões de hectares de florestas. O International Finance Corporation (IFC) estima que “a meta brasileira e outros investimentos climáticos exigirão US$ 1,3 trilhão de 2016 a 2030”, diz o estudo, “mais do que qualquer outro país da região”.

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