Controvérsias ASG: Vale lidera ranking de empresas com problemas socioambientais

Rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), em 2015, continua gerando impactos negativos muito severos sobre a mineradora

Com gravidade e extensão excepcionais, o desastre socioambiental ocorrido em Mariana (MG), ainda no fim de 2015, levou a Vale à posição de empresa com maior número de controvérsias no relatório Controvérsias ASG 2016, elaborado pela SITAWI Finanças do Bem. A Petrobras ficou na segunda posição, seguindo uma tendência de redução do número de controvérsias após o pico alcançado a partir da deflagração da Operação Lava Jato em 2014. A JBS, assim como no ano anterior, aparece em terceiro lugar, novamente afetada em grande parte por questões trabalhistas. A Eletrobras ocupou a quarta posição, sendo a empresa mais controversa do setor de Serviços Públicos. A quinta empresa com maior número de controvérsias foi a Oi, influenciada por sua recuperação judicial.

Realizado pela SITAWI desde 2013, o relatório Controvérsias ASG apresenta resultados do monitoramento das controvérsias que tenham impactado ou possam vir a impactar negativamente 100 empresas brasileiras em questões ambientais, sociais e de governança (ASG) ao longo do ano. Em 2016, foram registradas 272 controvérsias, das quais mais da metade foram relacionadas às cinco empresas listadas nas primeiras posições. Na análise por tema, destaca-se a maior quantidade de controvérsias relacionadas à Governança, em razão tanto da deflagração da Operação Greenfield quanto dos desdobramentos das Operações Lava Jato e Zelotes, casos que têm gerado maior repercussão e impacto sobre as empresas envolvidas nos últimos três anos.

controversias asg4
Com todos os desdobramentos do desastre socioambiental ocorrido em Mariana, ainda no fim de 2015, a Vale apareceu como a empresa mais controversa em 2016, principalmente nos temas Comunidades e Meio Ambiente.

O diretor da SITAWI, Gustavo Pimentel, comenta que o estudo reforça a percepção de que fatos negativos relacionados a questões ASG se desdobram em diferentes níveis de impacto para as empresas e podem se estender por muito tempo, inclusive para as grandes companhias.

– É por exemplo o caso de Mariana, para a Vale, e da Lava-Jato, para a Petrobras. As duas situações mostraram que cada vez mais atores estão atentos ao impacto de questões ASG, como ficou claro pelas ações de investidores individuais e institucionais dessas empresas no Brasil e no exterior. – afirma Pimentel.

A análise das controvérsias sobre o desempenho ASG das empresas joga luz sobre a importância de políticas e procedimentos que permitam maior responsividade para lidar com as situações de riscos operacionais, reputacionais e legais, além dos impactos negativos sobre as comunidades localizadas próximas aos locais de atuação das companhias. O estudo da SITAWI defende que uma resposta rápida – que reconheça possíveis violações e proponha medidas corretivas – tem o potencial de minimizar tanto os efeitos sobre a sociedade como os danos às empresas. Sem uma resposta apropriada, fatos negativos podem se desdobrar em novas controvérsias, o que pode significar maior dificuldade de retomar suas atividades e responder a seus clientes, investidores e demais partes interessadas.

Autor líder do relatório, o consultor Guilherme Teixeira destaca que as controvérsias relacionadas a negociações salariais foram menos frequentes do que em 2015. Por outro lado, Teixeira também ressalta que o cenário atual de limitação de recursos nas empresas coloca em risco investimentos em medidas de prevenção a riscos trabalhistas e ambientais e no relacionamento com comunidades e clientes.

– O desafio para a maior parte das empresas é identificar o impacto financeiro de uma gestão socioambiental pouco eficiente e considerar esse fator na tomada de decisões, para que tenham uma gestão compatível com seus riscos e com sua responsabilidade frente à sociedade – afirma Teixeira.

Metodologia

O relatório Controvérsias ASG 2016 apresenta uma análise consolidada de controvérsias, isto é, fatos públicos, rastreáveis e documentados que representem ou possam vir a representar um impacto negativo nas empresas monitoradas.

As controvérsias, de natureza ambiental, social ou de governança (ASG), são coletadas a partir de notícias ou artigos veiculados por jornais e revistas de grande circulação, veículos regionais e páginas especializadas em economia, meio ambiente e sociedade. Nos casos em que mais de uma notícia esteve relacionada a um mesmo fato, contabilizou-se apenas uma controvérsia. No entanto, para os casos nos quais fatos iniciais se desdobraram em outros que representam (potenciais) impactos adicionais para uma empresa, são contabilizadas controvérsias adicionais.

A análise ASG organiza notícias em 24 subtemas e cinco macro temas: clientes, comunidades, governança, meio ambiente e trabalhadores. Além disso, as controvérsias são classificadas de acordo com o grau de severidade, relativamente ao porte das empresas envolvidas: “Baixa”, “Moderada”, “Severa” e “Muito Severa”.

estudos

Sobre a SITAWI Finanças do Bem

Fundada em 2008 com a missão de mobilizar capital para impacto socioambiental positivo, a SITAWI é uma organização pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para o setor social e na análise da performance socioambiental de empresas e setores.

A SITAWI monitora e modela impactos socioambientais nos negócios e aconselha instituições financeiras (bancos, seguradoras, fundos de pensão e gestores de recursos) na incorporação de questões socioambientais na estratégia, desenvolvimento de produtos, análise de riscos e investimentos. Foi eleita por investidores como a 9a melhor casa de pesquisa socioambiental do mundo e teve o segundo melhor analista, além de outros dois integrantes entre os 15 mais bem colocados no ranking Independent Research in Responsible Investment – IRRI 2016.