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Como havia múltiplas de sessões simultâneas, certamente este post não fará justiça ao evento, mas vamos lá:

Na abertura estavam Sonal Shah (do ‘Office for Social Innovation’ da Casa Branca; aliás, podem marcar ‘social innovation’ é o termo da vez, substituindo social entrepreneurship), Carla Javits (REDF), Vanessa Kirsch (New Profit Inc.), Andrew Wolk (Root Cause) e Jeff Bradach (Bridgespan). A grande mensagem é que o governo pode ser parte da solução, mas precisa de ajuda do setor como um todo. Eles estavam se referindo ao governo dos EUA, claro, e é muito interessante ver que existe uma (maior) consciência de serviço público que convive com uma (menor) desconfiança em instituições de governo convivendo dentro de cada um. Isso nos EUA, claro.

A sessão seguinte em que participei, “SME Finance in Developing Countries”, foi moderada por Dan Rundle (IFC) e nela participaram Randall Kemper (ANDE – Aspen Network of Development Entrepreneurs), John Simon (Center for Global Development) e Julia Novy-Hildesley (Lemelson Foundation). O foco da sessão foi no importante papel dos intermediários, na necessidade de distintos tipos de capital e na evidência que capital não basta, também é necessária assistência técnica.

A plenária de encerramento do dia foi moderada por William Bishop (The Economist) e para um debate amigável foram convidados Jed Emerson (Uhuru Capital), Álvaro Rodriguez-Aguerri (Ignia Partners), Wim van der Beek (Aavishkar Goodwell), Kim Smith (New Schools Venture Fund) e Wiiliam Foote (Root Capital). Com estes pesos pesados, o melhor a fazer é acessar um vídeo com a sessão [link a ser atualizado].

Pela manhã do dia seguinte, o desafio de Amit Bouri (Global Impact Investors Network), Dan Crisafulli (Skoll Foundation) e Charly Kleissner (KL Felicitas Foundation), moderados por Kevin Jones (organizador do SOCAP09) foi fazer previsões para o mercado de finanças sociais (ou impact investing, nome cinhado num relatório da Monitor para a Rockefeller Foundation e que está “pegando”). Alguns desejos disfarçados de previsões: Impact Investing vai chegar a 5-15% dos ativos gerenciados no mercado (assets under management), governos estarão mobilizados para mudar as regras do jogo para fomentar este tipo de atuação, o “modelo de negócio” estará provado, intermediários vão permitir a conexão entre investidores individuais e oportunidades de investimento e métricas de desempenho estarão consolidadas. Nada mal para o futuro?

Em seguida, ouvimos sobre o circuito de fundraising – incluindo aqueles pensando em capital retornável, mas também outros pensando em doações para gerar capital retornável (como no modelo da sitawi). Eis as melhores citações de Shari Berenbach (Calvert Foundation), Brian Trelsted (Acumen Fund), Don Shaffer (RSF Social Finance), moderados por Stuart Davidson (Labrador Ventures): “we have to find a way for something else than money to become powerful” (“temos que encontrar um meio de fazer com que algo alem de dinheiro tenha poder”), “donors care more that we care about metrics than they care about metrics themselves” (“doadores estão mais preocupados em que nós nos preocupemos com métricas do que eles mesmos estão preocupados com as métricas”) e “the value of a company is cash plus hope, over time – or, in our case, with the maturity of the industry – the percentage attributed to cash increases and to hope decreases” (“o valor de uma empresa é seu caixa + esperança; ao longo de sua evolução – ou, em nosso caso, da maturidade do setor – o percentual atribuído ao caixa aumenta e à esperança diminui”).

O restante do dia poderia se chamar “A Escolha Impossível Entre 10 Sessões Paralelas em cada hora – versão organizadores”. Eu fui assistir a Sean Stannard-Stockton (Tactical Philanthopy Advisors) e Perla Ni (Great Nonprofits) apoiados por Jacob Harold (Hewlett Foudation) falando sobre a ‘criação de uma nova narrativa para impacto social’. A tese defendida por Jacob é que as não há equivalência entre a qualidade das organizações sociais, de sua captação de recursos e de seu impacto social. Mas essa equivalência também não é buscada no setor privado. Uma “grande empresa” não necessariamente significa a mais lucrativa; esse título provavelmente leva em conta o orgulho dos empregados, a inovação dos produtos, a satisfação dos clientes, alem da lucratividade propriamente dita. Para contar sua história – ou mobilizar outros para que a contem – reporte aquilo que você acredita que é certo, mas também o que aqueles que você pretende beneficiar dizem sobre o que você faz.

Em seguida a escolha recaiu sobre a sessão ‘a sofisticação dos pioneiros em investimento social’. Uma breve digressão sobre o título da sessão: nos EUA ou em outros países, os termos filantropia, caridade e doação não geram calafrios e são usados frequentemente, permitindo que a palavra investimento mantenha sua conotação de ‘retornável’, portanto investimento social tem expectativa de (algum) retorno financeiro. Voltando ao tema, a sessão evoluiu para nova características que vão evidenciar que o setor como um todo é/está sofisticado: i. No SOCAPXX haverá abrangência e profundidade em todas as classes de ativos; ii. Gestores, conexões e habilidades estão desenvolvidas; iii. Associações do setor dialogam com o governo; iv. Há um sistema comum de rating; v. Há analistas de investimentos sociais (ver abaixo post sobre a conferência da NPC em Londres); vi. Há um mercado secundário para investimentos sociais que agrega liquidez ao setor; vii. As políticas públicas suportam o setor ou pelo menos não apresentam os incentivos incorretos; viii. O mercado financeiro quantifica e permite a monetização de bens comuns (evidenciando e dando um tratamento de mercado ao que hoje são externalidades) e ix. O público votante e consumidor tem informação adequada sobre o impacto social/ecológico de suas escolhas

O dia terminou com uma sessão sobre “métricas” com Antony Bugg-Levine (Rockefeller Foundation), Brian Trelsted (Acumen Fund), Andrew Kassoy (B Lab) e Chris Park (Deloitte). Há algumas iniciativas em andamento (B CORP, GIIRS, PULSE, ANDE) mas o mais importante do que a qualidade dos indicadores é sua adoção. Há um caminho natural de histórias para análises, de metáforas para metodologias/ mensuração. Foi mencionado que o setor social é naturalmente fragmentado de acordo com paixões pessoais, mas caso queiramos que mais capital venha para o setor, estas paixões tem que ser colocadas momentaneamente de lado para permitir investimentos em infraestrutura. Deixo uma provocação feita pelo grupo “In Silicon Valey, failure is a badge of honor; in the corporate world, failure is a fact of life; in the nonprofit sector, failure is not an option. That mentality hás to change for metrics to have any imapct.” (No Silicon Valey, falhar – no sentido de ‘abrir uma empresa e quebrar’ – é uma fator para orgulho; no mundo corporativo, falhar é um fato da vida, no setor social, falhar não é uma opção. Caso essa mentalidade não mude, as métricas não terão nenhum impacto).

O último dia poderia se chamar “A Escolha Impossível Entre 40 Sessões Paralelas – versão participantes”. Os mais de mil participantes geraram pequenos grupos de discussão (‘the unconference’) sobre os mais variados temas: de China às comunidades pobres nos EUA, de marcas à métricas, do orçamento federal para saúde à web 2.0.

Trago da discussão de marcas – da qual participei – a razão para que os Beatles fossem a banda de maior sucesso do mundo: cada integrante representava uma aspiração básica com a qual o ser humano mais se identifica: Ringo representava o espírito de celebração, George o de comunidade, John o de rebeldia e Paul o do herói. Que tal?

Como podem ver, foi uma longa conferência, e, de forma geral, o foi bem focado nos Estados Unidos (eu diria proporcionalmente mais do que no ano passado), apesar da presença em massa do contingente brasileiro de social finance – sitawi, Vox Capital, Instituto Ventura e um instituo familiar avaliando o tema.

Eugene, Carin, aproveitem a caipirinha e o pão de queijo, obrigado pela estadia novamente e, no próximo ano, por favor separem um quarto com varanda! Ou um cachorro!

Leonardo Letelier    
em nome da equipe sitawi