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Negócios Sociais e Alianças 
Quarta, 16 de Setembro

Diálogo entre empreendedores sociais Ashoka – Lemelson – Artemísia e investidores sociais.

Ashoka e Artemísia organizaram um simpático café da manhã entre empreendedores sociais latino-americanos e investidores sociais com o intuito de semear um diálogo entre aliados no processo de transformação da sociedade, evitando transformar o evento numa sessão de pitchs.

Do lado dos investidores, estiveram presentes a sitawi, a Vox Capital e o Instituto Ventura. Do lado dos empreendedores sociais brasileiros tivemos Howard Weinstein (Solar Ear), Tarcio Handel (Agência Mandalla), Carlos Simão (Instituto Sertão Vivo), José Roberto da Fonseca e Silva (H2 Sol), Augustin Woelz (Sociedade do Sol), Rodrigo Brito (Aliança Empreendedora), Raquel Barros (Lua Nova), Leila Novak (IPS – Comércio Solidário), Rodrigo Vieira (Eletrocooperativa), Tiago Del Angeli (Solidarium Comércio Justo), Adriana Barbosa (Feira Preta), Henrique Bussacos (Tekoha). Ainda compareceram outros 12 empreendedores sociais de outros países.

Após uma breve apresentação de cada um, desenvolveu-se uma dinâmica de perguntas e respostas (e comentários), onde os empreendedores sociais buscavam entender e distinguir as modalidades de financiamento social apresentadas e entender o por quê move cada investidor. Os investidores tiveram uma oportunidade especial de entender a diferença de modelos de negócios, visões e posicionamento frente ao tema por parte dos empreendedores sociais.

Um muito obrigado aos organizadores,

Leonardo Letelier
em nome da equipe sitawi

SOCAP09 – Social Capital Markets 2009 
Quinta, 3 de Setembro

De volta de mais uma versão do “Social Capial Markets” (este ano SOCAP09) que aconteceu em San Francisco.

www.socialcapitalmarkets.net

Como havia multiplas de sessões simultâneas, certamente este post não fará justiça ao evento, mas vamos lá:

Na abertura estavam Sonal Shah (do ‘Office for Social Innovation’ da Casa Branca; aliás, podem marcar ‘social innovation’ é o termo da vez, substituindo social entrepreneurship), Carla Javits (REDF), Vanessa Kirsch (New Profit Inc.), Andrew Wolk (Root Cause) e Jeff Bradach (Bridgespan). A grande mensagem é que o governo pode ser parte da solução, mas precisa de ajuda do setor como um todo. Eles estavam se referindo ao governo dos EUA, claro, e é muito interessante ver que existe uma (maior) consciência de serviço público que convive com uma (menor) desconfiança em instituições de governo convivendo dentro de cada um. Isso nos EUA, claro.

A sessão seguinte em que participei, “SME Finance in Developing Countries”, foi moderada por Dan Rundle (IFC) e nela participaram Randall Kemper (ANDE – Aspen Network of Development Entrepreneurs), John Simon (Center for Global Development) e Julia Novy-Hildesley (Lemelson Foundation). O foco da sessão foi no importante papel dos intermediários, na necessidade de distintos tipos de capital e na evidência que capital não basta, também é necessária assistência técnica.

A plenária de encerramento do dia foi moderada por William Bishop (The Economist) e para um debate amigável foram convidades Jed Emerson (Uhuru Capital), Álvaro Rodriguez-Aguerri (Ignia Partners), Wim van der Beek (Aavishkar Goodwell), Kim Smith (New Schools Venture Fund) e Wiiliam Foote (Root Capital). Com estes pesos pesados, o melhor a fazer é acessar um vídeo com a sessão [link a ser atualizado].

Pela manhã do dia seguinte, o desafio de Amit Bouri (Global Impact Investors Network), Dan Crisafulli (Skoll Foundation) e Charly Kleissner (KL Felicitas Foundation), moderados por Kevin Jones (organizador do SOCAP09) foi fazer previsões para o mercado de finanças sociais (ou impact investing, nome cinhado num relatório da Monitor para a Rockefeller Foundation e que está “pegando”). Alguns desejos disfarçados de previsões: Impact Investing vai chegar a 5-15% dos ativos gerenciados no mercado (assets under management), governos estarão mobilizados para mudar as regras do jogo para fomentar este tipo de atuação, o “modelo de negócio” estará provado, intermediários vão permitir a conexão entre investidores individuais e oportunidades de investimento e métricas de desempenho estarão consolidadas. Nada mal para o futuro?

Em seguida, ouvimos sobre o circuito de fundraising – incluindo aqueles pensando em capital retornável, mas também outros pensando em doações para gerar capital retornável (como no modelo da sitawi). Eis as melhores citações de Shari Berenbach (Calvert Foundation), Brian Trelsted (Acumen Fund), Don Shaffer (RSF Social Finance), moderados por Stuart Davidson (Labrador Ventures): “we have to find a way for something else than money to become powerful” (“temos que encontrar um meio de fazer com que algo alem de dinheiro tenha poder”), “donors care more that we care about metrics than they care about metrics themselves” (“doadores estão mais preocupados em que nós nos preocupemos com métricas do que eles mesmos estão preocupados com as métricas”) e “the value of a company is cash plus hope, over time – or, in our case, with the maturity of the industry – the percentage attributed to cash increases and to hope decreases” (“o valor de uma empresa é seu caixa + esperança; ao longo de sua evolução – ou, em nosso caso, da maturidade do setor – o percentual atribuído ao caixa aumenta e à esperança diminui”).

O restante do dia poderia se chamar “A Escolha Impossível Entre 10 Sessões Paralelas em cada hora – versão organizadores”. Eu fui assistir a Sean Stannard-Stockton (Tactical Philanthopy Advisors) e Perla Ni (Great Nonprofits) apoiados por Jacob Harold (Hewlett Foudation) falando sobre a ‘criação de uma nova narrativa para impacto social’. A tese defendida por Jacob é que as não há equivalência entre a qualidade das organizações sociais, de sua captação de recursos e de seu impacto social. Mas essa equivalência também não é buscada no setor privado. Uma “grande empresa” não necessariamente significa a mais lucrativa; esse título provavelmente leva em conta o orgulho dos empregados, a inovação dos produtos, a satisfação dos clientes, alem da lucratividade propriamente dita. Para contar sua história – ou mobilizar outros para que a contem – reporte aquilo que você acredita que é certo, mas também o que aqueles que você pretende beneficiar dizem sobre o que você faz.

Em seguida a escolha recaiu sobre a sessão ‘a sofisticação dos pioneiros em investimento social’. Uma breve digressão sobre o título da sessão: nos EUA ou em outros países, os termos filantropia, caridade e doação não geram calafrios e são usados frequentemente, permitindo que a palavra investimento mantenha sua conotação de ‘retornável’, portanto investimento social tem expectativa de (algum) retorno financeiro. Voltando ao tema, a sessão evoluiu para nova características que vão evidenciar que o setor como um todo é/está sofisticado: i. No SOCAPXX haverá abrangência e profundidade em todas as classes de ativos; ii. Gestores, conexões e habilidades estão desenvolvidas; iii. Associações do setor dialogam com o governo; iv. Há um sistema comum de rating; v. Há analistas de investimentos sociais (ver abaixo post sobre a conferência da NPC em Londres); vi. Há um mercado secundário para investimentos sociais que agrega liquidez ao setor; vii. As políticas públicas suportam o setor ou pelo menos não apresentam os incentivos incorretos; viii. O mercado financeiro quantifica e permite a monetização de bens comuns (evidenciando e dando um tratamento de mercado ao que hoje são externalidades) e ix. O público votante e consumidor tem informação adequada sobre o impacto social/ecológico de suas escolhas

O dia terminou com uma sessão sobre “métricas” com Antony Bugg-Levine (Rockefeller Foundation), Brian Trelsted (Acumen Fund), Andrew Kassoy (B Lab) e Chris Park (Deloitte). Há algumas iniciativas em andamento (B CORP, GIIRS, PULSE, ANDE) mas o mais importante do que a qualidade dos indicadores é sua adoção. Há um caminho natural de histórias para análises, de metáforas para metodologias/ mensuração. Foi mencionado que o setor social é naturalmente fragmentado de acordo com paixões pessoais, mas caso queiramos que mais capital venha para o setor, estas paixões tem que ser colocadas momentaneamente de lado para permitir investimentos em infraestrutura. Deixo um provocação feita pelo grupo “In Silicon Valey, failure is a badge of honor; in the corporate world, failure is a fact of life; in the nonprofit sector, failure is not an option. That mentality hás to change for metrics to have any imapct.” (No Silicon Valey, falhar – no sentido de ‘abrir uma empresa e quebrar’ – é uma fator para orgulho; no mundo corporativo, falhar é um fato da vida, no setor social, falhar não é uma opção. Caso essa mentalidade não mude, as métricas não terão nenhum impacto).

O último dia poderia se chamar “A Escolha Impossível Entre 40 Sessões Paralelas – versão participantes”. Os mais de mil participantes geraram pequenos grupos de discussão (‘the unconference’) sobre os mais variados temas: de China às comunidades pobres nos EUA, de marcas à métricas, do orçamento federal para saúde à web 2.0.

Trago da discussão de marcas – da qual participei – a razão para que os Beatles fossem a banda de maior sucesso do mundo: cada integrante representava uma aspiração básica com a qual o ser humano mais se identifica: Ringo representava o espírito de celebração, George o de comunidade, John o de rebeldia e Paul o do herói. Que tal?

Como podem ver, foi uma longa conferência, e, de forma geral, o foi bem focado nos Estados Unidos (eu diria proporcionalmente mais do que no ano passado), apesar da presença em massa do contingente brasileiro de social finance – sitawi, Vox Capital, Instituto Ventura e um instituo familiar avaliando o tema.

Eugene, Carin, aproveitem a caipirinha e o pão-de-queijo, obrigado pela estadia novamente e, no próximo ano, por favor separem um quarto com varanda! Ou um cachorro!

Leonardo Letelier
em nome da equipe sitawi

SIX – Social Innovation Summer School, Lisbon 
Terça, 4 de Agosto


Há duas semanas voltei de Lisboa onde participei novamente da conferência de inovação social.

http://www.socialinnovationexchange.org ... school2009

Este ano foram mais de 120 participantes, duas vezes mais do que ano passado, o que alterou bastante a dinâmica do evento. Mas foi interessante perceber que os elos formados no ano passado resistem ao teste do tempo e da distância: amigos da Holanda (Kennisland) e Inglaterra (Young Foundation). A estes se somaram contatos intessantes na Avina (Portugal), Social Finance (Inglaterra), Fu Ping Social Investments (China).

O evento trouxe uma série de sessões, das quais vou tentar compartilhar os highlights aqui:

Beautiful Foundation/ Hope Institute (Coréia do Sul), Woon-Son Park (social designer, segundo sua própria definição): melhor do que um ‘think tank’ é um ‘think and do tank’. Começaram uma batalha contra os grupos econômicos (chaebols) e a corrupçnao na política – fizeram uma campanha em 2000 pedindo para partidos não nomearem candidatos e eleitors não votarem. Organizaram o ‘movimento 1%’, sugerindo que pessoas/empresas doassem 1% de sua renda, ativos ou talento para melhoria da sociedade (já arrecadaram US$13 milhões, 90% dos doadores vem através do canal online). Tem iniciativas de fair trade (US$3 milhões em vendas de café). Fazem concursos de idéias dos cidadãos e colocam as melhores em prática (um chaveirinho/broche para identificar mulheres no início da gravidez para que as pessoas em sua volta não tenham que esperar aparecer uma barriguinha para demonstrar cortesia). Continuam com o “coral de reclamações” apresentado no ano passado e estão desenvolvendo um shopping Center para boas pessoas e bons produtos. Seu desejo é mudar o primeiro parágrafo da constituição para “cada Coreano pode ser o CEO de um pequeno negócio”.

Young Foundation, Geoff Mulgan: Em breve vão publicar seu trabalho sobre ‘metodologias’ para inovação social (já listaram 471 e continuam) em todos setores da economia: governo, empresas, organizações sociais e o quarto setor seria o ‘ambiente econômico do lar’. Urge líderes e políticos para não usar a crise como pretexto para ‘consertar o passado’ (foco em salvar indústrias que vão/deveriam encolher), mas sim como oportunidade para ‘consertar o futuro’ – veja o manifesto aqui.

Manuel Castells, sociólogo espanhol com pesquisas sobre a sociedade da informação e sobre comunicação: relata que ouviu uma frase atribuída ao General Geisel: “estamos à beira do precipício, demos um passo adiante” (não achei confirmação da frase, mas é emblemática). Seu resumo da crise é que, como sociedade, vivemos acima de nossa capacidade de endividamento – apesar dos extraordinários ganhos de produtividade que foram capturados pelos mercados financeiros –, e a implicação é volta do governo (que estancou parou a crise), mas também do florescimento da economia alternativa (que para ele está refletida em ações desde baixar música na internet até trocas de serviços e agricultura urbana). Com isso os indivíduos – que fazem parte, ao mesmo tempo, nos três (ou quatro, ver acima) setores da economia – e estão mais dispostos a experimentar, introduzindo novas maneiras de agir e pensar sem esperar por uma solução mágica – e julgam as coisas pelo sentido que tem em suas vidas, criando comunidades de esforços coletivos para mudar o mundo (vídeos no youtube, blogs, comunidades virtuais, etc.). Ao final, comentou que “ao mesmo tempo em que às vezes o passo mais prático a tomar é desenvolver uma teoria, as teorias partem da prática, da observação, da participação”

Mind Lab, Christian Bason: O Mind-lab é uma unidade de inovação que faz parte do governo dinamarquês e parte da idéia radical que o governo é parte da solução e os cidadãos também são parte da solução, aposta no redesenho ou melhor, no co-desenho e co-produção de serviços públicos.

Knowledge Land, Chris Sigaloff: Apresentou os cinco fatores chave de sucesso na disseminação das inovações sociais que levaram a cabo na Holanda (criaram um concurso de idéias de melhoria da educação voltado para os professores; as melhore sidéias contatam com mentoria, treinamento e 500 euros): Começar pequeno, Criar uma marca, Colaborar, Envolver pessoas, Fazer com que tudo isso seja divertido.

Acredito que isso cobre bem as sessões principais.

Não participei em todas as sessões paralelas (por motivos óbvios), mas adianto que foi fascinante (e proveitoso) discutir finanças sociais em um grupo que incluía desde um banco de investimento para o setor social no Reino Unido até um fundo de investimento social na China, passando por pessoas que querem montar uma incubadora em Portugal. As experiências da sitawi são vistas com muito interesse, pois mesmo se não ainda estamos num mercado maduro/desenvolvido, já passamos da fase de discussão para a prática.

Inês, obrigado pela estadia. Celso, pelas conversas. Karen, pela escolha do local do jantar (XL, excelente bacalhau, recomendo). Nada como encontrar velhos amigos (ok, não tão velhos) em outros continentes!

Leonardo Letelier
em nome da equipe sitawi

PS – A foto acima é minha tentativa de encapsular visualmente uma inovação social (ok, mais cultural que social): é uma daquelas máquinas nas quais você coloca uma moeda e tenta pegar um brinde com uma garra mecânica. Só que neste caso, o brinde é uma gravura. Bacana, não?
Nem só em crise vivem as organizações sociais (II) 
Terça, 28 de Julho
Conforme visto no artigo anterior, nem só em crise vive o setor social do Brasil. As instituições priorizaram a qualidade e o número de beneficiários, apesar de a maioria ter apontado a captação de recursos como atividade mais impactada. Em paralelo, gastos administrativos foram cortados preventivamente e a pergunta que fica é: o que mudou na gestão das organizações? Para responder, a sitawi dá sequência a série de artigos que trata da crise e as instituições sociais.
De acordo com a pesquisa realizada pela sitawi, as organizações realizaram adaptações em várias dimensões de seu direcionamento estratégico, mas, em 84% dos casos, conseguiram manter o foco de atuação inalterado ou com pequenas mudanças.

Segundo Mário Vieira, diretor financeiro-administrativo e de projetos especiais do Comitê para Democratização da Informática, a crise fez com que houvesse maior controle de custos operacionais e de projetos. “O controle sempre existiu, mas como a crise ajudou a mudar o perfil das doações que o CDI faz e recebe, sentimos necessidade de olhar a operação mais de perto”, afirma.
A pesquisa também apontou a prioridade dos fatores que as organizações pretendem alavancar para superar a crise e retomar a sustentabilidade, conforme gráfico abaixo:



As instituições foram unânimes em apontar a melhoria da estrutura interna para captação de recursos como fator mais importante para sair da crise rapidamente. Mas, surpreendentemente, a pesquisa sinalizou oportunidades em temas pouco discutidos no meio social. Para 40% das organizações é relevante a concessão de crédito para diversificar as fontes de financiamento. Além disso, 54% dos respondentes consideram a união ou fusão com outras organizações relevante para ganhar escala e compartilhar know-how.

Outra oportunidade que a crise evidenciou se refere a questões de governança, principalmente a de maior interação das organizações sociais e seus conselhos. Apesar de melhoria da participação dos conselheiros no direcionamento estratégico da organização (54% de participação ativa durante a crise comparado a 42% antes da crise e), em outras áreas o envolvimento é ainda menor. Por exemplo, em apenas 30% dos casos, o conselho participa ativamente dos esforços de captação da organização (19% antes da crise).

Além das evidências de oportunidades, o setor social brasileiro encontra-se bastante otimista em relação ao fim da crise e a retomada do crescimento: apenas 23% acreditam que este seja o pior momento, enquanto que 35% acreditam que o pior já passou e 31% afirmam que o processo de recuperação já foi iniciado. Para Mário Vieira, a crise trouxe oportunidades e aprendizados, mas, de forma geral, fez parte de um contexto maior de reposicionamento que impulsionou as mudanças pelas quais o CDI passou durante o período.


A PESQUISA
A pesquisa foi conduzida em maio e junho de 2009 com cerca de 50 organizações sociais (incluindo fundações/institutos) de todo o país. Este é o segundo de uma série de três artigos que apontará características da crise no setor e as perspectivas para o futuro.
Nem só em crise vivem as organizações sociais (I) 
Domingo, 12 de Julho
“Se a situação mundial não se estabilizar até 2010, podemos ter dificuldades (…), mesmo assim poderíamos manter os nossos projetos no nível atual mesmo que perdêssemos 30% dos nossos patrocinadores.”
Respondente da ‘Pesquisa sitawi sobre o impacto da crise no setor social’

Que a crise abateu todos os setores da economia, não é novidade. Alguns sofreram mais, outros menos, mas a verdade é que ninguém saiu ileso. A novidade são os casos de organizações que mesmo assim estão crescendo e aproveitando as oportunidades. Para entender o impacto da crise nas instituições sociais, a sitawi realizou uma pesquisa inédita com algumas das principais organizações do país.
De acordo com a pesquisa, a maioria dos respondentes (69%) apontou a captação de recursos dentre as atividade mais impactadas pela crise. A queda não foi uniforme, pois a captação de pessoas físicas demonstrou maior resiliência que a captação de pessoas jurídicas. Em ambos os casos, o valor médio de doação caiu mais que o número de doadores.

Apesar disso, a queda média no orçamento para as atividades sociais foi de apenas 11% (e 16% para atividades institucionais). E mesmo assim houve organizações em que a receita cresceu significativamente em comparação ao ano anterior. Segundo Rodrigo Brito, diretor-executivo da Aliança Empreendedora, uma das participantes da pesquisa, o orçamento deste ano da instituição é superior em mais de 30% em comparação a 2008.

Em relação aos projetos sociais, a resposta das organizações à crise evidencia seu comprometimento com a sociedade e capacidade de adaptação e proteção da “atividade fim”: o número de beneficiários foi o menos impactado, seguido da qualidade e da quantidade de projetos. Por fim, a velocidade de implementação acabou sendo o fator mais impactado pela crise. O que, para Rodrigo Brito, é justificado pelo momento econômico vivido no país.

A pesquisa também aponta dados relevantes sobre a prioridade gerencial das organizações na crise: gastos administrativos foram cortados preventivamente. Mesmo assim, a relação com o emprego foi relativamente positiva: enquanto que 32% das organizações não demitiram, 25% contrataram. Por outro lado, o fator menos afetado foi o apoio não financeiro de parceiros, sendo esta uma forma que a sociedade encontrou para continuar dando suporte às instituições num momento em que os recursos se tornaram mais escassos.

Veja no gráfico abaixo o detalhe das respostas sobre o impacto da crise nas atividades das organizações sociais:



A PESQUISA
A pesquisa foi conduzida em maio e junho de 2009 com cerca de 50 organizações sociais (incluindo fundações/institutos) de todo o país. Este é o primeiro de uma série de três artigos que apontará características da crise no setor e perspectivas para o futuro.

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